terça-feira, 1 de julho de 2014

Escrevemos ou não escrevemos, Lisboa?



O Miguel Manso, dono do estúdio Xposed,  pôs-nos a sala naquele brinquinho. 
E a turma do Escrita Habitual correspondeu - olha para elas, concentradíssimas.

workshop Escrita Habitual de Lisboa foi tão bom que me apetece ir lá outra vez, passar mais um sábado com aquelas doze cachopas divertidas e empenhadas. Começou a correr bem no período de aquecimento, quando lhes mandei mensagens de motivação e um trabalho de casa - responderam com entusiasmo e, como eu esperava, a dizer que não tinham jeito para escrever, que não lhes saíam como queriam, que nunca sabiam como começar. Claro que já estavam a começar, mas ainda não tinham reparado nisso.

Correu bem quando fui na noite anterior ver o estúdio do Miguel, que ele preparou com esmero para nos acolher. Arrumadinho, impecável, com o material todo a postos. Na manhã seguinte, aparece-me uma turma incansável, que fez uma série de exercícios sem se queixar, com uma energia concentrada e firme. No final do dia tinha produzido uma série de textos muito bons, soltado a sua inspiração e, em alguns casos, encontrado uma voz que desconhecia em si.

Ver isso acontecer em tão poucas horas é o combustível que me faz estar continuamente a aperfeiçoar o workshop, a pensar em exercícios novos, mais interessantes, a enriquecer o manual, a reunir material para criar um módulo avançado do curso. Toda a gente é capaz de escrever e não é preciso decorar um dicionário cheio de palavras novas, nem é preciso transpirar de esforço, nem esperar que caia sobre nós uma luz divina que nos faça escritores.

O que é preciso é quebrar alguns preconceitos em relação à escrita, encará-la como uma competência que se pode aperfeiçoar e depois treinar muito, para melhorar e encontrar um estilo. E também como uma capacidade que evolui e se transforma ao longo do tempo. Há boas práticas que podemos aprender, embora nenhuma seja uma ciência exacta. Mas para começar a escrever, tal como para começar a cozinhar, temos que pegar no livro de receitas e medir tudo. Ao fim de algum tempo, as quantidades e os temperos tornam-se intuitivos.

É isso que acontece no Escrita Habitual - deixamos para trás o medo de não ser capazes e arriscamos. Passa-se uma barreira e depois, olhando para trás, vemos como essa barreira não era assim tão grande. A prova disso é que toda a gente escreve e, mais do que isso, escreve textos muito bonitos. No sábado, até houve umas lágrimazitas. E muitas gargalhadas. E uns aaaahhh de emoção, quando alguns textos foram lidos.
Que mais podia eu querer?
Mais nada. É isto. E isto é tanto.

(post também publicado no blog Locais Habituais)

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